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"Vou me levantar, transformando erros em ouro"

  • Foto do escritor: Giovana
    Giovana
  • 26 de mar. de 2024
  • 4 min de leitura

Atualizado: 27 de mar. de 2024


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É muito interessante olhar para o quanto eu gosto de escrever atualmente. Inevitavelmente meus pensamentos irão me levar a alguns anos atrás, cenário em que essa realidade ainda não existia. Posso considerar que anos atrás, era uma realidade bem oposta ao gosto, se assim posso dizer. Então eu venho revelar um fato sobre mim que, geralmente, não tenho oportunidade de expor em uma conversa rotineira com alguém.


Quando eu era mais nova tinha muitas dificuldades, principalmente no contexto escolar. Eu era muito agitada, sempre tive que me esforçar demais para conseguir entender e memorizar as matérias. Só a minha mãe sabe o quanto ela se esforçou pra me ajudar com as tarefas de casa, por mais que passasse a maior parte do tempo fora de casa trabalhando, assim como o meu pai.


Hoje eu consigo perceber o quanto essas dificuldades poderiam estar associadas à questões emocionais e penso que foi um contexto e tanto pra que eu criasse uma sensação dentro de mim de que eu não era tão boa, em termos de inteligência. Ainda mais por ver muitas das minhas amigas se saindo muito bem na escola. Eu nunca reprovei de ano, mas tive muitas horas de estudo depois da escola. Eu me lembro que a escola sempre foi um contexto, para mim, rodeado de sacrifícios.


No período do colegial essa história não era muito diferente. Me lembro de ter prestado a prova do ENEM na tentativa de recorrer a uma bolsa de estudo pra faculdade, e adivinhe só: tive minha redação zerada por ter fugido do tema da redação. Me lembro até hoje da sensação horrorosa no estômago e a vergonha por ver todos os meus colegas compartilharem as suas notas da redação na sala de aula, e eu sem voz. Eu só queria me enfiar em um buraco.


E sabe que, por muitas vezes eu sabia que tinha problemas pra interpretar textos. Ficava me questionando como era possível haver um certo e errado em algo tão subjetivo, em que a percepção sobre algum tema pudesse variar de pessoa pra pessoa. Eu me confundia, principalmente em enunciados de questões de português. Afinal, na minha cabeça, eu pensava: "Como eu posso ter uma percepção tão "genérica" sobre as coisas?". Achava que tudo era muito subjetivo.


É claro que, nesse caso da redação do ENEM foi algo muito além de um simples problema de interpretação, mas no fundo eu dei uma risada silenciosa. Não, eu não tinha achado aquilo engraçado, a sensação que tive foi como se aquela experiência não fosse surpresa, foi algo que poderia sim acontecer comigo. Ainda tive o pensamento: "Claro! É óbvio que zerei a redação, como pude esperar o contrário?". Aquilo talvez não era uma surpresa pra mim. Nesse dia senti um peso no estômago, uma sensação (talvez um pouco dramática, eu sei -risos) como se a minha alma tivesse saído do corpo, de tanta vergonha! Percebi que talvez ali, eu tenha concretizado uma visão sobre mim e internalizado a ideia de que eu realmente não era inteligente.


Encarei vestibulares, me estremecia por imaginar que não conseguiria desenvolver um raciocínio em uma redação. Então veio o primeiro ano da faculdade. Uma luta diária em que eu entrei pra graduação já sabendo que não daria conta de tantas tarefas, tantas coisas pra ler e pior, escrever! O período da faculdade foi um dos momentos mais desafiadores da minha vida, por eu me sentir um fracasso e pensava que era só questão de tempo até decidir trancar a faculdade.


Por outro lado, ao longo desse período eu me deparei com pessoas maravilhosas, principalmente professores. Eles me mostraram uma nova forma de encarar aquela situação: aprender a organizar as minhas ideias e pelo menos tentar escrever, mesmo com aquele pensamento sobre mim. Me lembro como se fosse ontem das aulas de produção e interpretação de texto e filosofia, foram as aulas em que eu mais pude aprender a expressar as minhas ideias e aprender a escrever de verdade.


Ali eu me encontrei e me vi pertencente em um lugar que nunca imaginei que pudesse me "encaixar". No final do ano, tive mais uma surpresa relacionada a esse tema. Quando defendi meu TCC tive orientadores maravilhosos (inclusive meu professor de filosofia do primeiro ano), além de uma parceira super amiga e também muito competente. Tivemos o nosso TCC aprovado e ainda fomos elogiadas por conta da produção da dissertação e as colocações corretas da língua portuguesa. Aqui eu tive a oportunidade de ver o quanto aprendi ao longo dos anos, e não apenas aprendi sobre escrever, mas o mais importante de tudo pra mim: aprendi sobre mim mesma, me conheci um pouco mais a cada ano e internalizei que eu não necessariamente era um fracasso naquilo.


Entendi que não são algumas situações isoladas que vão me "qualificar" como sendo boa ou não, inteligente ou não. Incrivelmente temos a habilidade em pontuar nossos piores defeitos, principalmente nesses momentos em que as coisas não saem como gostaríamos, mas é importante não generalizarmos e nos diminuirmos pra caber em rótulos tão restritos e injustos, que não dão espaço pras nossas qualidade da mesma forma.


Hoje em dia eu ainda tenho essa tendência a me levar pra esse lugar pequeno, restrito e a me classificar como não sendo boa o suficiente. Novamente, baseado em uma situação específica em que me frustrei. É aí que me lembro do meu passado! E eu sei, na verdade só eu sei o quanto eu aprendi com o meu passado. Percebo que não será a primeira e nem a última vez que terei essa sensação, mas prometi pra mim mesma que me responsabilizaria a não me julgar da mesma forma que fiz lá no começo e mais ainda a não desistir por achar que eu não era boa o suficiente. Assim eu sigo tentando! Aprendendo coisas que eu nem imaginei que aprenderia e o mais importante: me permitindo ser, errar e continuar aprendendo muito com os meus erros.


A música a seguir faz parte de uma coletânea de músicas favoritas, novamente parte da trilha sonora do filme "Into The Wild - Na Natureza Selvagem" (também um dos meus filmes preferidos). Em um trecho da letra diz: "Vou me levantar, transformando erros em ouro".



Que possamos sempre nos permitir transformar nossos erros em ouro e aprender com eles. ❤️🌸


 
 
 

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© 2021 por Giovana Perecin

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