Enquanto tem café na xícara
- Giovana

- 12 de mar. de 2024
- 3 min de leitura
Engraçada essa sensação que tenho ao sentar no sofá pela manhã e ficar perto da janela. Eu sento com a minha xícara de leite com café e necessariamente tenho que estar presente ali, seja contemplando o nascer do sol, escrevendo lendo, ou simplesmente existindo enquanto tem café na xícara.
O mais engraçado de tudo isso é que antes de sentar pra escrever sobre isso eu sabia exatamente o que queria escrever, e assim como um dente de leão que se espalha quando o vento bate, a ideia se foi dos meus pensamentos e é exatamente sobre isso que eu queria escrever anteriormente, pois quando menos percebemos, passou, e já não tem mais café na xícara!
A ideia é desfrutar aquilo que está ali na minha frente, naquele momento do café, inclusive o café! O sentido está em saber que o café logo logo acaba e a oportunidade passa. E é muito interessante perceber que quando me apego ao sentido, logo já estou novamente tirando a minha atenção daquele momento e passo a estar focada na necessidade em estar ali. Complexo, né?
Curioso é que essa é a nossa tendência! Assim como quando estamos em meio a tantas tarefas no dia a dia, o foco se esvai e novamente a chance em estar ali, pelo menos por um momento, expira de novo. E eu sigo tentando, as vezes me perco e as vezes consigo.
A real é que esse é o convite que a vida nos faz para olha-la de fora. E olha só que oportunidade, hein? Aqui podemos usar as ferramentas que temos para exercitar o nosso lado observador (falo melhor sobre isso no primeiro post). Quando nos damos essa brecha, nos permitimos testar a nossa relação com o agora.
Pode ser que essa relação com o agora esteja coberta por angústia, ou indignação por alguma coisa indesejada estar acontecendo e então nos convidamos a aceitar as coisas como elas estão. Nos desafiamos a desprender dos julgamentos que possivelmente fazemos com nós mesmos com a cobrança de que "deveria estar tudo bem" ou que " eu não devia estar passando por isso".
E então a gente entende o quanto isso é transformador no momento de passar por situações difíceis, apenas pelo fato de nos proporcionar tirar essa carga pesada de obrigações em "ter que fazer alguma coisa" a respeito do que está acontecendo. Pode ser que a melhor coisa a se fazer nesses momentos seja "apenas" ser, aqui e agora, seja na escrita, na contemplação ou em si.
E incrivelmente hoje eu consegui! No final desse ensaio ainda tenho café na minha xícara, o que significa que estive aqui por inteiro, contemplando o meu presente, com um cafezinho feito do jeito que eu gosto. Mais um dia em que não tomo o café correndo, sem nem sentir o gosto, a temperatura e o cheiro. Mais um dia que consigo tomar o meu café com aquele gostinho diferente, o gostinho da vida presente no agora!
E você que está do outro lado da tela possivelmente sabe que esse não é um exercício fácil, não é mesmo? Eu nem preciso dizer. Quantas vezes eu sentei na janela, angustiada por conta do frio presente em quase todos os dias no país em que eu escolhi viver. E mesmo diante desses momentos eu me convido a vivê-los e receber o presente como ele se apresenta a mim, com a oportunidade de vivê-lo pelo menos enquanto tem café na xícara!



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