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"Isso é real ou está apenas acontecendo dentro da minha cabeça?"

  • Foto do escritor: Giovana
    Giovana
  • 4 de mar. de 2024
  • 3 min de leitura

Que loucura essa que falam por aí que "as coisas são o significado que damos a elas". Se pararmos pra pensar, isso torna tudo muito simples, mas muito mais complexo ao mesmo tempo, por assumir uma responsabilidade tamanha diante da vida que vivemos.


Imagine se eu crio na minha vida uma forma de ver as coisas tão belas e me deparo com a realidade de que a vida pode não ser tão bela e romântica assim?


Ou se tenho outra forma mais "melancólica" em ver a vida, daí a realidade aparece pra me dizer que estou equivocada em uma situação x porque a vi baseada em minhas "lentes melancólicas" e que talvez aquilo realmente não é algo tão infeliz como achei que era.


É como se a nossa visão construída fosse desmascarada e que a todo tempo estivéssemos contando mentiras para nós mesmos a fim de nos livrar de coisas horrorosas, na tentativa ferrenha de nos proteger de alguma ameaça e, claro, alimentar cada vez mais essa forma tão rígida e fantasiosa em enxergar as coisas.


E assim vivemos naquele enredo tão característico, com a sensação de que não há outra teoria que pudesse fazer mais sentido dentro da história das nossas vidas.


A questão é que: acordei e vivo na pele a sensação (de tempos) de que criei formas de enxergar a vida que não necessariamente correspondem ao jeito que a vida é, evidentemente.


Me senti uma farsa por pensar que tudo o que vivi não era real, por ser apenas mais uma vivência baseada em minhas "teorias" vistas de óculos com lentes coloridas e demorei a entender que mesmo assim foram vivências reais!


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Aqui você provavelmente vai achar que estou me contradizendo, mas é isso mesmo. Assim como Dumbledore disse para o Harry em Relíquias da Morte, parte II: "É claro que está acontecendo dentro da sua cabeça, Harry! O que não significa que não seja real".


O ponto em que me encontrei a respeito da realidade e as teorias criadas com base em minhas diversas lentes coloridas, é que: em determinado ponto, pode ser que acreditar nelas a todo momento sustente suposições mentirosas a respeito de mim mesma e o mundo em que existo. Eu poderia, inclusive, vir a adoecer por acreditar com unhas e dentes que essa é a única maneira de enxergar a minha vida.


Sem contar com o peso descabido que já carreguei (as vezes ainda carrego) em dar um significado tão mais drástico e dramático do que realmente é.


Assim eu descobri que: sim! é um alívio ao mesmo tempo poder escolher e transitar entre lentes coloridas, preto e branco e em alguns momentos escolher coloca-las de lado por um pequeno tempo. Deixar os óculos para também podermos enxergar novas cores, as cores da vida real, sem necessariamente ficar criando enredos perigosos que talvez caibam cada vez mais dentro do nosso mundinho.


O melhor de tudo é que a gente aprende que talvez nem sejamos tão importantes assim, (principalmente quando achamos que todo mundo quer ficar de olho na nossa vida), ou até mesmo que somos sim muito mais importantes do que achamos (quando achamos que ninguém liga pra gente e não nos sentimos amados).


O que tento ver da realidade hoje, é um mix das minhas teorias com o que é real. Os enredos construídos dão sentido a minha história, até mesmo a minha vida, mas caso sejam enredos desfavoráveis, me permito questiona-los para não viver uma vida alienada e limitada a essa única forma de enxergar.


Portanto, novamente, o que (tento) ver da realidade hoje é um equilíbrio que me exige conhecimento. Aceito o fato de essas duas maneiras de encarar a vida poderem coexistir, afinal, querendo ou não, essa é a realidade. Não dá pra abrir mão de toda a história que contamos pra nós mesmos e simplesmente deixar de dar significados pras coisas que nos acontece a todo momento. Esse equilíbrio pode se mostrar um pouco abalado as vezes -risos, mas essa é a vida!  Assim como as batidas do coração: pra cima e pra baixo e sempre reais.

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© 2021 por Giovana Perecin

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