A Vida Como Um Observador
- Giovana

- 28 de fev. de 2024
- 4 min de leitura
Se teve uma coisa que aprendi com o meu pai, foi sobre não ficar olhando as horas passarem no relógio a todo momento, principalmente nas horas de lazer. Acho que isso me proporcionou criar e cultivar uma visão mais observadora e não tão julgadora diante das coisas, além de me possibilitar parar de correr contra o tempo e "apenas" viver.
Como se diz na fenomenologia: "ir às coisas mesmas", o que muitas vezes pode ser uma tarefa muito difícil principalmente por vivermos em uma realidade baseada em uma lista de afazeres e mais ainda na sensação de culpa infinita diante daquela lista gigante de tarefas não concluídas.
Ir às coisas mesmas, diz respeito à nossa postura diante das experiências, sejam elas quais forem. Isso tem, inclusive uma ligação bem interessante com o termo "atenção plena", ou "meditação" dentro da psicologia, na minha opinião, pois nos colocamos a viver aquele momento, da forma como ele é, mesmo diante da dor ou pensamentos julgadores parambulantes em nossa mente insistindo em nos convencer de "como as coisas deveriam ser diferentes", mas com a intenção de focar em outra coisa que não sejam essas "regras"colocadas na nossa cabeça ao longo da nossa jornada sem nem nos darmos conta de que elas existem.
Esses pensamentos são eventos impossíveis de se controlar, muito menos eliminar, então muitas vezes vivemos apenas julgando, pensando, processando aquilo como se aquela fosse a mais pura verdade sobre a nossa vida, deixando isso tomar o controle. Mas nos esquecemos do mais importante: olhar, de verdade, perceber, sentir a realidade como ela é.
Por mais que doa, por mais que sintamos na pele aquilo que a realidade nos transmite, queira ou não queira, é a realidade! Como já dizia Alberto Caeiro: "Pensar é estar doente dos olhos". Eu concordo em partes com essa visão, pois nossos pensamentos, a racionalidade em si, tem o seu benefício em existir, mas sim, se pensarmos demais, podemos nos esquecer do olhar, perceber de verdade as coisas como elas são, com a beleza que a racionalidade, por sua vez, poderá tirar dos nossos olhos.
E agora uso das palavras de Larinha em "Eu Quero a Árvore Que Existe", as minhas: "Para os olhos saudáveis, o simples ato de ver é o suficiente". Os olhos saudáveis, na minha visão são a apreciação da vida vivida como um observador. São as experiências vivenciadas com a intenção de serem vividas de verdade.
Quando me mudei pra Irlanda, percebi que me afastei muito dessa visão, sem querer. Quando a gente muda, nosso mundo vira de cabeça pra baixo, na verdade... As prioridades são outras, no início só nos resta sobreviver. E é só questão de tempo até nos encontrar novamente. O duro é quando a gente se encontra e se lembra de que a cultura e a realidade não combina tanto com esse modo de viver, infelizmente.
Em meio a tanta competitividade, pressa em chegar a um patamar x, y, z me sinto mesmo muito ingênua em falar sobre isso nesse mundo que nos rodeia. A verdade é que eu não consigo abrir mão, não somente da ideia, mas da forma de ver as coisas nesse sentido. Mais um motivo que possa me fazer sentir incompreendida perto de pessoas que tem vivências e percepções completamente diferentes da minha, mas... fazer o que? Eu sei o quanto isso é importante pra mim, por isso sigo assim.
É claro que não há como nos render a isso 100% do tempo, precisamos de compromissos, horários marcados, planejamento, afinal. Inevitavelmente nos rendemos a isso. E mesmo assim, eu ainda me convido (e te convido) a resgatar essa visão no dia a dia. Me dei conta de que havia perdido isso por passar em meio a uma avenida diferente de tudo que já vi e vivi e ter "fingido costume" por passar ali todos os dias para ir trabalhar.
Não quero nada de fingir costume, eu quero mesmo é ver aquilo ali como se fosse a primeira vez. Observar as coisas, seus detalhes como se fosse a primeira vez que tivesse pisado aqui, como um turista mesmo. No fim das contas, aqueles que mudam de país serão sempre turistas, só nos basta lembrar disso. Sempre haverá algo novo a ser percebido, descoberto.
Hoje, eu sinceramente digo que nunca imaginei que um dia viveria tudo isso que estou vivendo. Costumes, paisagens e belezas tão diferentes, e digo com convicção que só consigo enxergar isso de verdade, por não fingir costume, e sim, tentar boa parte do tempo viver como um observador.
A postagem não terminou, continua na parte abaixo das fotos, em que falo sobre o vídeo relacionado ao assunto de hoje.

Eu dificilmente não me emociono quando ouço essa música e particularmente assisto a esse vídeo. Ele tem um lugar reservado no meu coração por ter feito parte da minha defesa de tese na faculdade e ter me ajudado (entre outras coisas) a garantir um 10 como nota final (coisa que eu nunca imaginei que conquistaria também, logo contarei melhor sobre isso).
Fica aqui também a recomendação de um filme que gosto muito: "Into The Wild - Na Natureza Selvagem", que inclusive tem muito a ver com tudo o que escrevi acima. O filme reforça toda essa visão em viver a vida como um observador.
Obrigada por ter ficado até o final dessa reflexão, sem você o meu objetivo não seria atingido ♡
Essa é uma das trilhas por onde andei, e fico muito feliz de ver você trilhando isso junto comigo!




Comentários